'mar.'


'Sentada na varanda virada para a praia, admiro o mar, a sua grandiosidade e força chocando contra os rochedos.
Penso e repenso…
“Quem me dera ser como tu oh mar”! 
Poder gritar em silencio e soltar toda a minha fúria como tu o fazes sem que ninguém te julgue ou que faça de culpado.
 Gostava de ter a tua força, poder por vezes transformar-me nessas enormes rochas onde descarregas tudo. 
Sim, queria ser uma pedra para poder levar com tudo em cima e não me magoar (…)
Não o sou! Sou humana e como todos. 
Também tenho sentimentos, sei que por vezes me magoei e ser querer também magoei alguém. 
Afinal quem é que nunca saiu a sofrer e nunca magoou ninguém? 
Toda a gente com coração e sentimento já o fez, talvez porque acho que o que estava a fazer era o mais correcto, podendo mesmo não o ser. 
Merecemos sempre uma segunda oportunidade de nos redimir, por muito difícil que seja por vezes perdoar.
Ali permaneço olhando o laranja do céu durante o pôr-do-sol. 
Os seus tons fortes de fim de tarde enchem-me o olhar de esperanças e carregam a minha alma de coragem para vencer cada luta do dia-a-dia.
As pegadas construídas na areia vão desaparecendo com o tocar da espuma branca trazida pelas ondas.
Ali se marcou uma caminhada!
Mais uma etapa que chega ao fim, pode ser apagada, mas jamais será esquecida.'(TF)

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